Foram doze anos. Eu tinha oito anos quando a gente te comprou, você tinha 5 meses... Me lembro até hoje de você assustada no banco de trás e eu do teu lado, te fazendo carinho e tentando te acalmar....chegou no apartamento e cheirou tudo, conhecendo sua nova casa, sua nova família. Durante este tempo foram portas, vasos de flores, fitas cacetes, entre outras coisas, destruídas. Lembro-me da vez que o meu pai deixou um pedaço de maçã na mesa, e quando voltou, não estava mais lá, e ele achando que tinha sido eu e só depois nos ligamos que tinha mais alguém que gostava de maçã na família. E quando fugia? Não tinha ninguém que conseguia pegar, lembro de uma cena: umas 10 crianças, correndo atrás de uma poodle branca no gramado do Tarumã, e ela corria e desviava de todos com uma rapidez, uma disposição, e ninguém conseguia te pegar... além de uma vez que fugiu para a rua e foi parar em outro bairro, e tivemos que ir de carro te buscar.
Vai ser difícil agora fechar portas e não ouvir teu latido por não gostar que fechem portas, ou de entrar no quarto da mãe e tu não deixar eu chegar perto dela... Você foi minha amiga, companheira, muitas vezes chorei abraçada em ti, e por mais que eu sabia que você não entenderia que era a minha adolescência chegando, você me fazia sentir bem com isso. Foi muito bom passar seus últimos dias contigo, no sábado pude te pegar no colo e te fazer carinho, te olhar nos olhos (mesmo você ceguinha) e agradecer por ter você, parte da minha história, e com certeza você está marcada na minha vida (e na minha mão com aquela mordida tua que ficou a marca hahah ❤❤).
“Um cão não precisa de carros modernos, palacetes ou roupas de grife. Símbolos de status não significam nada para ele. Um pedaço de madeira encontrado na praia serve. Um cão não julga os outros por sua cor, credo ou classe, mas por quem são por dentro. Um cão não se importa se você é rico ou pobre, educado ou analfabeto, inteligente ou burro. Se você lhe der seu coração, ele lhe dará o dele. É realmente muito simples, mas mesmo assim, nós humanos, tão mais sábios e sofisticados, sempre tivemos problemas para descobrir o que realmente importa ou não.” Marley&Eu.
Nenhum comentário:
Postar um comentário